SURGIMENTO EM PLENO DOMÍNIO DA MÁQUINA A VAPOR
O surgimento da máquina
a vapor abriu novas possibilidades de produção industrial gerando
forte auto demanda. O conhecimento adquirido e o aperfeiçoamento
técnico que seu sucesso comercial trouxe aos meios de produção e
manufatura mecânica passou a viabilizar a materialização de ideias e
inventos com muito mais facilidade. Contrariamente, a eficiência
alcançada pela máquina a vapor, principalmente depois de Watt,
dificultava a introdução de novas forças motrizes distintas que não
tivessem eficiência comparável ou outras vantagens globais. Parece
ser esse o motivo que mais contribuiu para que o aparecimento do
motor de combustão interna demorasse tanto desde as primeiras ideias
até seu desenvolvimento pleno, apesar de possuir a maior parte de
seus componentes básicos conceitualmente comuns a sua antecessora, a
máquina a vapor.
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| O motor de Samuel Brown, um dos precursores dos motores de combustão interna - Fonte: Wikipedia |
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Certo é que o motor de
combustão interna como conhecemos é fruto de muitos inventores e
teóricos que aos poucos foram idealizando conceitos e concebendo os
diversos sistemas auxiliares que formam um motor de combustão
interna. Provavelmente muitas contribuições importantes ficaram sem
registro. Por outro lado, muitas receberam descrições pouco
consistentes dificultando seu reconhecimento.
PRECURSORES
Alguns autores
consideram Christiam Huygens e Denis Papin os precursores dos
motores de combustão interna. Apesar de ter se limitado a
experimentos, o engenho dotado de cilindro e pistão construído por
Huygens, por volta de 1680, e depois refeito por Papin, em 1690,
para demonstrar o poder da pressão atmosférica usava pólvora, que
era inflamada dentro do cilindro para produzir massa de ar quente.
Essa massa de ar no cilindro produzia trabalho não por expansão,
pois a pressão no cilindro nunca era maior que a atmosférica, mas,
por depressão provocada pelo posterior esfriamento externo do
cilindro com a válvula fechada.
Os aparatos não
produziam trabalho prático, nem tinham funcionamento cíclico. Foram
substituídos nas experiências dos inventores por outros que
utilizavam água para produzir vapor no cilindro através do
aquecimento externo e que inspirou as primeiras máquinas a vapor de
uso geral. Os experimentos de Huygens e Papin não eram ainda a
proposta de um motor propriamente dito, mas, certamente os conceitos
básicos ganharam registro prático e devem ter servido de aporte e
inspiração para muitos inventos posteriores que resultaram no motor
de combustão interna.